Desconexo
Eu não vou voltar pro inferno, o meu habitat certo é o externo
E viver no incerto eu não quero (que os ônibus cheguem
Tão perto).
Eu sou como uma escola de samba, eu preciso de astral,
Viver na corda bamba, e dormir no quintal.
Eu estou me acabando na finitude do tempo e é do passado
Que eu tenho saudades,
Quando então molestado não sabia o que era sofrer
Esse estado de perda constante, e de fato, meu status
Não é lá grande coisa e essa coisa de fatos reais nos jornais
Só me tiram do sério.
Por isso eu vou viver de agora em diante com ou sem você
Nesse bar, nesse instante, sozinho,
Meu cigarro barato e um vinho, sem forçar o meu tato
E o meu raciocínio...
Na minha geração eles cobram barato por umas carícias
E poucas palavras...
Por isso eu vou voar pra qualquer lugar
Bem longe daqui, e se alguém quiser me seguir
Não precisa seguir os meus passos, pois eu estarei
Em qualquer lugar.
Eu tenho um violão debaixo da cama, um contudo,
Um porém, e alguém que me ama,
Eu não tenho um alguém...
Eu não quero pintar as paredes pra essa gente pixar
Com essa sede de querer mostrar como dói
O abismo sem mar, que separa o homem do céu,
Que separa o branco do escuro,
E nos impõe um muro até onde pensar, até onde
Poder prosseguir, até onde voltar...
Então eu vou deixar tudo o que eu já deixei
Pra trás, sem saber que não volta mais
E eu era feliz
E essa nossa ilusão de buscar o orgasmo
Não é nada mais que uma simples ação de
Uma causa voraz, que é o desejo de morrer
Em paz, e morrer de amor...
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