quinta-feira, 26 de março de 2009

sexta-feira, 20 de março de 2009

C Ó P U L A










quero gozar minhas palavras
nos teus ouvidos
escorrer meu poema por teus braços
te apertar em fúria
e beijar teu sorriso
beber todas as taças que você derramar
banhar-me em teus segredos
e adormecer de embriaguez
quando a madrugada faz dos cães humanos
e dos homens simples cães
nos teus lençóis em versos firmes
te mordendo a carne
farei na madrugada uma semente eterna.





Lou, um dia...


*todos os direitos reservados





segunda-feira, 16 de março de 2009

VIDA APÓS A MORTE


Da forma mais doce,

eu não falaria terno

nem espalhando flores

no meu cemitério.

Encontrares vida

podes

nem que entre ôcas ossadas

caveiras embebidas de nada,

mausoléus entupidos de tudo.

Alguma rosa que goste de escuro,

alguma música que dance si mesma,

talvez idéias que gemem sussurros,

velas eternas, sempre acesas.

Mas nem que eu fôsse surdo falaria

o que nem sei se pode ser ouvido,

o que pertence à minha fantasia

mas alguém já pode ter sentido.

Ficou em mim e, se eu deixar não basta

e cabe um pouco em cada poema

por isso me desnudo em emblemas e palavras

para um destino

que no vão me enterra.

Eu volto para escrever

o que não coube em túmulo;

E, se não coube é porque há de não morrer.

Que, se na morte encontro eu aprumo

o que me traz à vida é o que eu não sei dizer.

Seria doce se amargo não fôsse,

sereno, polido, se não fôsse insano.

Seria raso, se não tão profundo

e possível, se fôsse nesse plano.

*todos os direitos reservados

sexta-feira, 13 de março de 2009

Mágico de Nós

 

Eu tenho medo de subir o monte

atravessar a estrada que não tem saída;

ver os ossos jogados aos montes,

e o sertão da minha vida.My Wallpaper

 

Eu tenho gana da ganhar a lida,

mas o deserto vermelho é infinito,

eu paro no meio e me fito.

Ali, desarreio e grito.

 

O mar fica dentro do chão

se eu cavar meu coração

nasce o meu rio sofrido

se eu lavar a canção,

vou ferir seus ouvidos;

cáio na transmutação

de um poeta perdido

que canta sua perdição

nos vales do infinito.

 

Vai a solidão rachar léguas

com a foice maldita da culpa

os homens perseguem a regra

que a vida é muito curta

no cessar da fartura

meu alimento é a luta.

 

Os pagãos andam na beira

de sentimentos estranhos

lavam os olhos com areia,

moram com os ciganos

pregam verdades alheias

que morrem no oceano.

 

Um forte de rosto assombrado

moreno de raio sereno

na lama de um céu atolado

no vão de um caminho terreno

segura nas mãos a camisa

 

lavada do sal do seu rio

joelho ferido das cinzas

das preces, nas noites de frio

olhar machucado de garça

coruja ferida nas asas

voando, pro seu desafio.

 

Meus anos, proezas passadas,

tão moço, meu sonho infantil

na euforia com a molecada

eu parto num velho navio.

 

Daqui, espreito o horizonte

adiante, a beleza dum pasto.

Deserto e cinzento diamante

de vida sem fim nem compasso.

 

                                   *todos os direitos reservados

segunda-feira, 2 de março de 2009