Eu tenho medo de subir o monte
atravessar a estrada que não tem saída;
ver os ossos jogados aos montes,
Eu tenho gana da ganhar a lida,
mas o deserto vermelho é infinito,
eu paro no meio e me fito.
Ali, desarreio e grito.
O mar fica dentro do chão
se eu cavar meu coração
nasce o meu rio sofrido
se eu lavar a canção,
vou ferir seus ouvidos;
cáio na transmutação
de um poeta perdido
que canta sua perdição
nos vales do infinito.
Vai a solidão rachar léguas
com a foice maldita da culpa
os homens perseguem a regra
que a vida é muito curta
no cessar da fartura
meu alimento é a luta.
Os pagãos andam na beira
de sentimentos estranhos
lavam os olhos com areia,
moram com os ciganos
pregam verdades alheias
que morrem no oceano.
Um forte de rosto assombrado
moreno de raio sereno
na lama de um céu atolado
no vão de um caminho terreno
segura nas mãos a camisa
lavada do sal do seu rio
joelho ferido das cinzas
das preces, nas noites de frio
olhar machucado de garça
coruja ferida nas asas
voando, pro seu desafio.
Meus anos, proezas passadas,
tão moço, meu sonho infantil
na euforia com a molecada
eu parto num velho navio.
Daqui, espreito o horizonte
adiante, a beleza dum pasto.
Deserto e cinzento diamante
de vida sem fim nem compasso.
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