sexta-feira, 13 de março de 2009

Mágico de Nós

 

Eu tenho medo de subir o monte

atravessar a estrada que não tem saída;

ver os ossos jogados aos montes,

e o sertão da minha vida.My Wallpaper

 

Eu tenho gana da ganhar a lida,

mas o deserto vermelho é infinito,

eu paro no meio e me fito.

Ali, desarreio e grito.

 

O mar fica dentro do chão

se eu cavar meu coração

nasce o meu rio sofrido

se eu lavar a canção,

vou ferir seus ouvidos;

cáio na transmutação

de um poeta perdido

que canta sua perdição

nos vales do infinito.

 

Vai a solidão rachar léguas

com a foice maldita da culpa

os homens perseguem a regra

que a vida é muito curta

no cessar da fartura

meu alimento é a luta.

 

Os pagãos andam na beira

de sentimentos estranhos

lavam os olhos com areia,

moram com os ciganos

pregam verdades alheias

que morrem no oceano.

 

Um forte de rosto assombrado

moreno de raio sereno

na lama de um céu atolado

no vão de um caminho terreno

segura nas mãos a camisa

 

lavada do sal do seu rio

joelho ferido das cinzas

das preces, nas noites de frio

olhar machucado de garça

coruja ferida nas asas

voando, pro seu desafio.

 

Meus anos, proezas passadas,

tão moço, meu sonho infantil

na euforia com a molecada

eu parto num velho navio.

 

Daqui, espreito o horizonte

adiante, a beleza dum pasto.

Deserto e cinzento diamante

de vida sem fim nem compasso.

 

                                   *todos os direitos reservados

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