
IPÊS AMARELOS
Venho de uma terra estranha
Acompanhado de um pensamento:
Nada é por acaso, não.
Tudo tem seu próprio tempo,
Cada rosa tem seu cheiro,
Cada pólen sua flor,
Cada amor a sua cor,
O seu tormento...
Faço tempos, não anos.
Há tempos não me deito.
Acho que perdi o tempo
No útero de minha mãe
Bate meu peito.
Alguns ipês amarelos
Fazem um tapete estreito
Tornam tudo tão mais belo
Num inverno tão perfeito.
Quero cálices pra alma,
Quero me calar no erro,
E fazer amor no escuro
E dormir no teu cabelo...
Eh eh eh eh eh eh eh eh ...
Já fiz uma vida em verso,
Já fiz tudo pelo avesso,
Quando me excita, penso.
Quando me conquista, leio.
Quando me aterrisa –páro.
Se me entristece, esqueço.
Lou Gomes
*todos os direitos reservados
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