Sempre
Faço tempos,
não anos.
Meus tempos são profanos,
insanos, trépidos.
Há templos em mim onde
calo dúvidas filosóficas,
quando à ponto de partir sem volta,
onde em dias rasos de solidão e chuva
escrevo um verso podado e
dou de comer aos passarinhos.
De tempo em tempo mudo um
modo de pensar
para acompanhar as coisas
que se tornam nuas.
Faz tempos, não me deito.
Acho que perdi o tempo
no útero de minha mãe,
não sei quando nasci, ou
se já morto estou, talvez à tempos.
Para nada, nem ninguém vivo.
Sou o olho de mim mesmo,
canto,
e dali vôo... para outros poemas;
explorando temas,
arrancando vestidos.
Não faço idéia de há quanto tempo
estou nisto. Eternidade?
Segundos?... Pra mim são
indícios linguísticos
que uso pra enfeitar cabelos de sonetos,
ou empresto-os a Vinícius.

Eu sou uma ampulheta sem areia,
sem oxigênio,
e se eu morrer nesse corpo que
nasceu em 13 de Agosto,
não me importo, nasço de novo
n'outra pena de poeta,
n'outro cérebro de artista,
n'outra tristeza ou idéia que usarei
para falar-te isto:
Sou orgasmos e vícios,
este
isto
ou aquilo.
Se arrancares os ponteiros

lá estarei,
e me reconhecerás
Sempre.
Lou Gomes
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