segunda-feira, 22 de setembro de 2008










Sempre















Faço tempos,





não anos.





Meus tempos são profanos,





insanos, trépidos.





Há templos em mim onde





calo dúvidas filosóficas,





quando à ponto de partir sem volta,





onde em dias rasos de solidão e chuva





escrevo um verso podado e





dou de comer aos passarinhos.





De tempo em tempo mudo um





modo de pensar





para acompanhar as coisas





que se tornam nuas.















Faz tempos, não me deito.





Acho que perdi o tempo





no útero de minha mãe,





não sei quando nasci, ou





se já morto estou, talvez à tempos.





Para nada, nem ninguém vivo.





Sou o olho de mim mesmo,





e em qualquer galho me estico,





canto,





e dali vôo... para outros poemas;





explorando temas,





arrancando vestidos.















Não faço idéia de há quanto tempo





estou nisto. Eternidade?





Segundos?... Pra mim são





indícios linguísticos





que uso pra enfeitar cabelos de sonetos,





ou empresto-os a Vinícius.





Eu sou uma ampulheta sem areia,





sem oxigênio,





e se eu morrer nesse corpo que





nasceu em 13 de Agosto,





não me importo, nasço de novo





n'outra pena de poeta,





n'outro cérebro de artista,





n'outra tristeza ou idéia que usarei





para falar-te isto:





Sou orgasmos e vícios,





este





isto





ou aquilo.





Se arrancares os ponteiros





lá estarei,





e me reconhecerás





Sempre.










Lou Gomes





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